
Este livro de Paola Buccheri vem de uma longa experiência da
autora fazendo textos em um blog (Blu
Cobalto), do qual ela extraiu aqueles textos que falam de sua vocação maior: o
amor, aquele que "si moltiplica per divisione" (p.8)
o amor de Paola é o amor ensinado por Jesus..." la potenza di Gesù in
croce ė estata di morire d'amore per noi" (p.27).... é o décimo primeiro
mandamento: amar ao próximo como a si mesmo.... Pode-se dizer que o livro é a
busca diária por este amor e, mais ainda, o esforço diário para a sua doação ao
próximo, ao que Paola dedicou-se por anos no trabalho da catequização de jovens
para cristianismo católico, na educação de seus filhos, no cuidado com seus
familiares diretos, arrisco dizer até dispensando um precioso carinho a mim.
Paola é uma querida amiga, uma paixão cozida na distância e
na saudade que acabou por transformar-se numa amizade afetuosa e sincera de
ambas as partes.
Justo por conhecer suas angustias, suas vitórias e derrotas
nesse longo processo, que sinto o livro filtrado ao extremo. Sinto falta dessas
omissões. senti falta da sua passagem pelo Brasil, que teve apenas a referência
ao Cristo Redentor carioca "Aquele abraço! " (p. 126). Mas entendo
que há necessidade de um mínimo de objetividade
diante de um tema tão subjetivo.
Paola é uma pessoa capaz de abrir seu coração, pelo menos a
mim, sem falsos pudores. Eu vejo um coração marcado pela busca do amor, mas não
vejo um coração cansado ou desanimado, ele está vivo, vermelho, pulsante. Eu o
sinto capaz de mais 50 anos de busca e doação.
Para aqueles que não a conhecem, o livro pode até passar a
ideia de uma mulher fisicamente forte, até mesmo gorda, uma matrona italiana,
de carnes fartas, bochechas vermelhas e voz sonora. Mas Paola não é assim.
Magrinha, pequena, palida . Ela fala no livro dessa falta de sangue que a
acompanha há anos: " la mia carenza di sangue, il mio pallore" (p.
60). Diante dela, é difícil crer que ela foi capaz de gerar dois filhos: a
cantora Margarida assina a capa, acredito que a mãe numa postura que eu
reconheço; e Francisco, que deixou a
ilustração de uma arvore com folhas rômbicas
na borda de uma falésia (p.163)... também reconheço Paola nesssa arvore
vigorosa.
Mas Paola não é uma beata medieval, ela é uma mulher
católica que vive essa transição do seculo XX para o XXI, ela enfrenta as
grosserias do trânsito, ela conversa com as séries de tv. Disso tudo ela extrai
combustível para sua busca/doação: amor
Paola é um mineiro que busca a rara gema engastada na rocha
sem valor da indiferença, na poeira do desamor, nas lamas das tristezas. Se
assim for, minha Paola é a mais rica beata
do século XXI, por que ela consegue
achar amor até em naftalínicos botânicos metidos a cientistas
cartesianos!!!
Se às vezes, Paola, esse amor que você encontra não lhe
deixe tāo animada, até um pouco desanimada,
é por que essas matrizes onde o encontra , que são valorizadas pelo seu
toque, pela sua atenção, não produzem gemas que sequer chegam perto do brilho
que é esse diamante: você!
Buccheri, Paola.I diari della luce. Boscoreale (NA), IT: Il quaderno edizioni, 2019
lido em ago 2019.
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