terça-feira, 26 de novembro de 2019

"I diari della luce" de Paola Buccheri

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Este livro de Paola Buccheri vem de uma longa experiência da autora  fazendo textos em um blog (Blu Cobalto), do qual ela extraiu aqueles textos que falam de sua vocação maior: o amor, aquele que "si moltiplica per divisione" (p.8)
o amor de Paola é o amor ensinado  por Jesus..." la potenza di Gesù in croce ė estata di morire d'amore per noi" (p.27).... é o décimo primeiro mandamento: amar ao próximo como a si mesmo.... Pode-se dizer que o livro é a busca diária por este amor e, mais ainda, o esforço diário para a sua doação ao próximo, ao que Paola dedicou-se por anos no trabalho da catequização de jovens para cristianismo católico, na educação de seus filhos, no cuidado com seus familiares diretos, arrisco dizer até dispensando um precioso carinho  a mim.
Paola é uma querida amiga, uma paixão cozida na distância e na saudade que acabou por transformar-se numa amizade afetuosa e sincera de ambas as partes.
Justo por conhecer suas angustias, suas vitórias e derrotas nesse longo processo, que sinto o livro filtrado ao extremo. Sinto falta dessas omissões. senti falta da sua passagem pelo Brasil, que teve apenas a referência ao Cristo Redentor carioca "Aquele abraço! " (p. 126). Mas entendo que há necessidade de um mínimo de objetividade  diante de um tema tão subjetivo.
Paola é uma pessoa capaz de abrir seu coração, pelo menos a mim, sem falsos pudores. Eu vejo um coração marcado pela busca do amor, mas não vejo um coração cansado ou desanimado, ele está vivo, vermelho, pulsante. Eu o sinto capaz de mais 50 anos de busca e doação.
Para aqueles que não a conhecem, o livro pode até passar a ideia de uma mulher fisicamente forte, até mesmo gorda, uma matrona italiana, de carnes fartas, bochechas vermelhas e voz sonora. Mas Paola não é assim. Magrinha, pequena, palida . Ela fala no livro dessa falta de sangue que a acompanha há anos: " la mia carenza di sangue, il mio pallore" (p. 60). Diante dela, é difícil crer que ela foi capaz de gerar dois filhos: a cantora Margarida assina a capa, acredito que a mãe numa postura que eu reconheço; e Francisco,  que deixou a ilustração de uma arvore com folhas rômbicas  na borda de uma falésia (p.163)... também reconheço Paola nesssa arvore vigorosa.
Mas Paola não é uma beata medieval, ela é uma mulher católica que vive essa transição do seculo XX para o XXI, ela enfrenta as grosserias do trânsito, ela conversa com as séries de tv. Disso tudo ela extrai combustível para sua busca/doação: amor
Paola é um mineiro que busca a rara gema engastada na rocha sem valor da indiferença, na poeira do desamor, nas lamas das tristezas. Se assim for, minha Paola é a mais rica beata  do século XXI, por que ela consegue  achar amor até em naftalínicos botânicos metidos a cientistas cartesianos!!!
Se às vezes, Paola, esse amor que você encontra não lhe deixe tāo animada, até um pouco desanimada,  é por que essas matrizes onde o encontra , que são valorizadas pelo seu toque, pela sua atenção, não produzem gemas que sequer chegam perto do brilho que é esse diamante: você!


Buccheri, Paola.I diari della luce. Boscoreale (NA), IT: Il quaderno edizioni, 2019

lido em ago 2019.

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